quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CANDOMBLÉ PRESO EM SEUS PRÓPRIOS GRILHÕES

Olá amigos!

Venho através desse texto, expor algumas questões sobre o Candomblé, religião que me completa, que amo, sigo e pratico. Tenho minha religião como fonte de vida, amor, fé, verdade e formação do caráter e da dignidade, ou seja, para o homem em sua vida de forma ampla e geral.

Ao meu ver, Deus é único. Existem muitos caminhos religiosos, que são escolhidos por cada pessoa para chegar até ele, e todos esses caminhos, sem exceção, devem ser respeitados.

Vivemos em um estado LAICO e todos os seres humanos possuem o direito, este defendido pela lei, de escolher a religião a qual quer professar e seguir.
Na história da humanidade, tivemos alguns acontecimentos em momentos distintos, onde a crueldade e situações desumanas prevaleceram fortemente! A Segunda Guerra Mundial trouxe o massacre ao povo judeu de forma cruel e desumana, onde países como Alemanha, pagam indenizações até os dias atuais para os judeus. No entanto, em minha opinião, o período mais desumano da humanidade foi a escravidão imposta aos negros trazidos forçadamente de várias partes do continente africano.
O Brasil foi o país que mais recebeu negros, que vinham primeiramente da África Sul Equatorial (Angola, Congo, Cabinda, Moçambique e etc...) e depois os homens que faziam as capturas dos negros foram subindo até chegar na antiga Benin, hoje Nigéria e também em outras regiões, como por exemplo onde viviam os povos Daomeanos.
Pois bem, mesmo a escravidão sendo o período mais triste e vergonhoso da humanidade, que durou cerca de 330 anos, nunca houve nenhuma indenização paga ao povo negro, apenas um pedido de desculpa do Papa João Paulo II no final do século passado "pelo tratamento aos negros e índios". Referente aos judeus, além das indenizações que citei acima pela Alemanha, o VATICANO a algum tempo atrás se desculpou publicamente com maior ênfase por sua omissão no período da Segunda Grande Guerra em defesa dos judeus, e esse período de guerra durou cerca de seis anos, muito menor que o período da escravidão (330 anos), onde a condição de escravo abrangeu cerca de seis gerações de negros.
Após o fim da escravidão e a "libertação" do negros, os mesmos continuavam sobre o domínio e manipulação dos brancos, sofrendo com questões racistas e preconceituosas, sem sequer poder exercer sua religião sem a perseguição do branco, onde eram obrigados a inventar situações CATÓLICAS dentro de suas casas religiosas para não serem presos e espancados pela "polícia branca" e pessoas racistas e preconceituosas. Adaptaram imagens de santos católicos, roupas da moda baiana da época, orações e etc.... para com isso, ludibriar os perseguidores e poder manter suas casas abertas.
Falei tudo isso, pois em MINHA OPINIÃO, esse tipo de atitude já não nos cabe mais, porém muitas adeptos das religiões de matrizes africanas continuam fortemente mantendo a igreja católica dentro de suas casas de Candomblé..... Lembro que no período da escravatura, os padres católicos obrigavam através de chibatadas que os negros e também os índios se convertessem ao catolicismo, sem se importar com a vontade, tradições e costumes desses povos em cativeiro. E o mais absurdo é que até os dias atuais o preconceito e discriminação continuam contra o povo negro e contra o povo de Candomblé, porém hoje muito mais claro por parte dos evangélicos.
Não vemos católicos ou evangélicos procurarem o Candomblé para batizar seus filhos! Não vemos um católico ou evangélico louvar ou festejar um Orisá, Nkisi ou Vodun, mas vemos muitos de nós batizar seus filhos na igreja e louvar os santos católicos nas casas de candomblé ou festejar e homenagear nas datas consagradas aos mesmos. Antes, a lavagem das escadas do Bonfim era um ato obrigatório aos negros, deixar tudo limpo para os padres e hoje que temos o direito de praticar nossa religião, essa lavagem do Bonfim virou festa, tradição para muitos do candomblé!
Muitas casas, após a iniciação de seus Yaos, Azenza ou Vondunci, têm como tradição levar os iniciados para assistirem uma missa. Será que um pastor ou um padre, após suas formações, iriam assistir um culto em uma casa de candomblé?
TRADIÇÃO NÃO É IMPOSIÇÃO..... AQUILO QUE FEZ MUITO MAL AO NOSSO POVO NO PASSADO, QUE LHE ERA IMPOSTO, OBRIGADO, NÃO DEVERIA DE FORMA ALGUMA TER SE TRANSFORMADO EM "TRADIÇÃO".
Nossos ancestrais que sofreram e morreram pela escravidão concordariam com isso? Será que com essas atitudes, estamos honrando a memória e toda luta e dificuldade dos mesmos??
Sou Candomblecista por amor, por opção e devoção...... Cultuo Nkisi e Mukixi por minha nação e raiz,
e não tenho a igreja dentro da minha casa e principalmente não tenho a igreja dentro de mim!
MINHA OPINIÃO E SEGUIMENTO.....

2 comentários:

Unknown disse...

Faço suas minhas palavras. Entendo que em respeito a ancestralidade de determinadas casas ainda se use alguns costumes cristãos, e que através deles o candomblé persistiu. Porem precisamos nos posicionar. Nunca conseguiremos olhares respeitosos, nem uma posição se ficarmos escondidos nessa fusão que o sincretismo foi.

Unknown disse...

Maku iu tata adoro seu blog! Continue nos presenteando esse ano