segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

DIVINDADE PAMBU NJILA - KIUÁ NGANA PAMBU NJILA! (VIVA O SENHOR DOS CAMINHOS!) - KIUÁ NJILA!


Falarei sobre a Divindade Pambu Njila, não de raças ou qualidades, pois no culto e tradição religiosa dos povos Bantu, que é diferente da tradição dos povos Nagô Yorubá, não temos raças nem qualidades e sim Divindades específicas, únicas e independentes, cada qual ocupando seu próprio caminho na natureza e também no universo.

Nossos Minkisi (Plural de Nkisi) e nossos Akixi (Plural de Mukixi) em África Bantu, eram cultuados e ainda são em algumas poucas regiões africanas, de forma separada, cada Divindade é cultuada e adorada em sua própria tribo e ou região, não sendo cultuada mais que uma Divindade por aldeia, tribo, região ou comunidade.

Apesar de todas as Divindades pertencerem ao grande conjunto dos povos Bantu, (Panteão Bantu) as diferenças existem e foram mantidas aqui no Brasil, pois devemos saber que temos Divindades de origem Kongo (Nkisi - pl. Minkisi) e Divindades de origem Angola (Mukixi - pl. Akixi), que fazem parte do mesmo conjunto de povos e regiões denominados Bantu, porém existem diferenças nos nomes das Divindades, nas línguas e nos cultos!

Por vários fatores, o culto religioso as Divindades de origem Afro Bantu, tiveram mudanças em nosso país, pois aqui cultuamos em uma única casa (inzo) diversas Divindades, ou seja, Divindades que eram únicas e absolutas em suas tribos, hoje no Brasil, dividem uma mesma casa, um mesmo espaço físico com várias outras Divindades, e com isso, criamos aqui no Brasil, o que muitos chamam de "CLÃ" familiar...Divindades parecidas, porém diferentes, que possuem caminhos no universo e natureza com algumas semelhanças, passaram à ser cultuadas num mesmo espaço (tribo), formando assim, uma espécie de grupo familiar.

Darei um exemplo mais comum de Divindades semelhantes: Tauami, Nguzu, Kabila, Mutalambo, Mutakalombo, Kongo Bila e outras.... São apenas Divindades parecidas, mas não iguais, por serem caçadoras, que são cultuadas na mesma casa (inzo) e muitas vezes no mesmo "quarto", onde Divindades de origem Kongo, se misturam com Divindades de origem Angola, mantendo o laço por pertencerem ao grande conjunto de tribos e povos Bantu (PANTEÃO BANTU).

Voltando à Pambu Njila, essa Divindade masculina da cultura Bantu, é comparada por muitos erroneamente, ao Orisá Esú dos povos Nagô/Yorubá.

O elemento de Pambu Njila é o fogo (Tubia), Divindade que conhece todos os atalhos, todos os caminhos e está com seu filho em todos lugares que ele possa ir, pois não há portas fechadas para essa Divindade.

Essa Divindade Bantu, está ligada diretamente aos caminhos, estradas, fronteiras, ruas, vielas, becos, encruzilhadas, atalhos, subidas, descidas, enfim... essa Divindade está em todos os movimentos de ligação de ir e vir, de mudanças, novos rumos, recomeços e etc...

É o Senhor dos Caminos (Ngana Pambu Njila), tendo muita importância nos rumos que escolhemos para nossas vidas.

Ele é o intermediário é quem faz a ligação entre os seres humanos e os outras Divindades de nossas nações religiosas. Na língua KIMBUNDU, a palavra PAMBU, tem o significado de encruzilhada, atalho, fronteira e a palavra NJILA, significa caminho, estrada.

A encruzilhada para os nativos Bantu, possui sentidos mágicos, representa o centro do universo, onde a mesma retém grande força energética. A encruzilhada é a cruz dos povos Bantu, simbolizando vários caminhos, diversos sentidos, indo e vindo, ligando o Bantu à diversas escolhas e dando novas oportunidades na vida, através de novos caminhos.

Pambu Njila é, e sempre será o primeiro à ser louvado e homenageado. Ele come, bebe e recebe homenagens e louvações primeiro que qualquer outro Nkisi/Mukixi, pois é ele quem guarda (kanzenzu), a porta da casa (inzo) de Angola e também tem a função de avisar as outras Divindades da cultura Bantu, que as cerimônias religiosas terão seu início.

Essas Divindades masculinas têm seus assentamentos (kunda) nas portas de entrada dos templos de Angola e Kongo Angola, para que justamente guardem, zelem e vejam todos que entram para o ritual de candomblé.

Sobre os colares (masanga) ritualísticos dessa Divindade, normalmente usamos as cores vermelho e preto fosco, mas essas cores são oriundas de misturas entre culturas de nações diferentes que ocorreram aqui no Brasil, essa questão hoje se difere de raiz para raiz.

Em África Bantu, existem registros que a cor que simboliza a Divindade Pambu Njila, é o cinza, mas existe grande dificuldade para encontrar missangas nessa tonalidade, além disso, não se tornou tradição aqui no Brasil. Também é usado para essa Divindade em África, o vermelho cristalizado e o branco transparente. Essas cores simbolizam os opostos, sendo o vermelho, o fogo e o branco transparente, a água (mas essas questões sobre as cores que menciono, não são de costume em nosso país).

Essa Divindade masculina, atua na musculatura, no tônus muscular, na potência e vigor do físico.

Espero que o relato acima possa ajudar a esclarecer sobre essa Divindade da cultura religiosa Bantu, tão confundida e mal interpretada por muitos aqui no Brasil, sendo até mesmo confundido erroneamente com a entidade Pomba Gira da Umbanda... Um verdadeiro absurdo, que devemos nos manter atentos as essas situações inventadas de formas inconsequentes.

5 comentários:

Anônimo disse...

Meu nome é Maria e seu blog me ajudou muito com o meu trabalho de história, é muito dificil achar coisas sobre essa cultura tão interessante,vlw.

Tata Kiretauã disse...

Grato Maria... Se precisar e eu puder ajudar, conte comigo!

Abraços

fernandesobral@hotmail.com disse...

meu nome e fernandes gostaria de saber ate onde vai a restrição do leite de vaca dentro do kandomblé agradeço desde ja pela oportunidade

Anônimo disse...

o meu e fernandes gostaria de saber o porque as restrições do leite de vaca e seus derivados dentro do ndenburo

kwan disse...

MEU QUERIDO,QUE SUAS FORÇAS SÓ AUMENTEM
PARA VC CADA VEZ MAIS SER UMA GRATIDÃO VIVA DE BENÇÃOS QUE MEREÇAS !!!
EXCELENTE SUA PASSAGEM SOBRE BANTU, AGRADEÇA EU A TI PELAS SUAS BELAS SABEDORIAS

ABRAÇOS

OMIJADE ( KIUÁ NJILA AMI )